sábado, 24 de outubro de 2015

Leveza ou Intensidade?

Essa semana, disseram-me para ser mais leve. 
Leonina que sou, - apesar de a muito custo admitir - , fervi de raiva. Pensei em mil respostas, mil explicações. 
Respirei fundo e me limitei a: "Tens razão. Não sou leve. Gosto de intensidade. E intensa, quando posso, sou." Ou algo assim. 

Afinal, qual o problema de ser intensa? Qual o problema de querer sentir as coisas em sua plenitude? Sou obrigada a passar pela vida de forma blasé? 
Admito, não posso ser intensa todos os minutos do meu dia. Em algumas situações faz-se necessário que sejamos comedidos. Mas, posso ser intensa comigo mesma, o tempo todo. 
Ou não posso? Ou não devo?

Todavia, nem sempre fui assim. 
Já engoli muito sapo, já dei muita resposta pronta, já falei o que queriam ouvir… 
Porém, depois que você aprende a dizer o que pensa e a responder com sinceridade, as coisas começam a mudar… para melhor! 
(Veja bem, dizer o que pensa não significa que você tenha que ser grosseiro e estúpido. Ou que tenha que impor sua opinião.)

Sabem, depois que você perde tudo o que o dinheiro pode comprar e fica só com o que ~o sentimento pode oferecer~, você começa a ser intenso. (E aprende a se considerar uma pessoa de sorte!)
Quando você mora com seu melhor amigo, e, um dia, não chega a tempo de lhe desejar boa viagem, mas, na mesma madrugada, recebe um telefonema dizendo que ele nunca mais voltará, você entende que o sentir tem que ser intenso. 
Ou quando você ama alguém, mas acredita que libertá-lo é o melhor, mesmo que, talvez, machuque o coração dessa pessoa, embora o seu sangre mil vezes mais, aí, você começa a se blindar.
Entretanto, meus amigos, se, ao menos com seu amigos, ao menos com seus familiares, ou melhor: se, ao menos com você mesmo, você não for intenso… Você está nessa vida para quê mesmo? 

Gosto de ir a um restaurante e comer algo que é "o melhor do mundo" naquele momento. Sentir as nuances, os sabores… me maravilhar.
Gosto de ouvir uma música e sentir cada nota. Eu entendo o povo dos instrumentos "air". Ah, e, se a música que toca o coração é o jazz, que eu seja toda jazz!
Gosto de olhar para as coisas que vejo todo dia como se fosse a primeira vez, como se fosse o olhar de uma criança! (Vide texto anterior. =P)
Gosto de sentir o cheiro dos jasmins quando desço a rua e me pegar sorrindo do nada. 
Gosto de rir e quando rio, quero que seja de verdade, quero que seja espontâneo, quero que caiam lágrimas dos olhos!

Gosto de ser intensa em relacionamentos. Fraternos, românticos… Eu quero sentir ~o que se tem pra sentir~ até o fim. Não quero ser leve ou sentir mais ou menos.
Estar feliz ou triste... sentir! E quando acabar, se acabar, acabou. Simples!

Você precisa ser leve? Você quer ser leve? Você acha que um pouco ou pela metade é melhor que o todo? É mais seguro?
Ok. Respeito mas não entendo.
Vá lá tomar seu leite com pêra e deixe-me com meus dramas e reviravoltas.